quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Olá gente, eu estou enviando o primeiro Boletim Medellín, acho que ainda será um pouco incompleto, até porque já se passaram 14 dias da minha chegada e essas informações quando não estão frescas acabam que passando despercebidas. Levando em consideração que o Boletim se chamará Medellín não entrarei em detalhes sobre o processo da viagem, a narrativa começará com a chegada no aeroporto de Medellín. Quando se chega, a entrada é quase que por cima, tem que se baixar um piso pra ir até o local onde as malas estão disponíveis, então, todo desconfiado, preocupado com o meu novo idioma e a nova maneira de colocar o meu “portuñol” para que fosse entendível pelos nativos. Pus-me a procurar ler placas e repetir os movimentos gerais que todos fazem, essa pela capacidade dos brasileiros em comer quietinho, ver o entorno para não errar. Quando desci para o salão das malas, estava tudo muito cheio e muitas malas passando pela esteira. Então, tentei me aproximar e acompanhar o movimento, passa 3 minutos e nada da minha mala chegar - ela óbvio estava identificada com as famosas fitinhas verde e amarela que todo brasileiro, que tem o mínimo de patriotismo, coloca pra poder se destacar diante a multidão e que funciona também quase como um acordo velado que pressupõe: aí está a mala de um brasileiro, eles são legais, o país do samba, carnaval, caipirinha, não toquem nela, deixem a mala passar, não a percam, provavelmente o cara é gente boa – enfim, mesmo com todos esses avisos velados, passaram 6 minutos e nada da mala do “cara legal passar”, passaram algumas parecidas, mas, nenhuma preenchida com o espírito canarinho. Pensei: Podem ter se confundido e levado a minha mala, mas, será que tinha mais alguém com tantas brasileirisses quanto eu? Muito improvável. Ponho-me apreensivo e percebo que passados 10 minutos – quase nenhuma bagagem na esteira, quase nenhuma pessoa no salão – tem uma mulher de óculos escuros procurando a chegada de alguém, deduzi que seria a Aura – professora Colombiana que ficou de me buscar no aeroporto, com quem tive pouco contato no Brasil, mas, que foi a responsável pela minha vinda a este país – aceno, ela responde afirmativamente e então estou mais tranqüilo, se a minha mala desaparecer tem pelo menos alguém conhecido pra me ajudar com o negócio de reclamar junto à empresa colombiana – AVIANCA. Mais 3 minutos e a mala nacionalista chegou, UFA ... Um problema a menos, agora será a fase: entrar em contato com as pessoas, até então pouco conhecidas. Quando saio, sou recebido com algumas fotos, há que se registrar o momento da chegada, junto a ela está Clara, a dona da casa onde eu vou morar por um ano. Devidas apresentações feitas, comentários a parte – “puxa, você está diferente das fotos, mas, que bom que a gente se encontrou, vamos o carro está estacionado logo ali”. Então, fomos direção ao carro, e eu pensei é minha oportunidade de treinar o español e comecei a apresentar o meu melhor espanhol, que pra eles na melhor das hipóteses seria no máximo um portuñol. Mas, aí vem o elogio, - Chico, tienes un español muy bueno, vocaliza todo, muy bien. Depois desse elogio o meu espanhol caiu de rendimento e tenho certeza que ela se arrependeu de ter elogiado, mas, seguimos nos comunicando. A primeira aventura foi que ela achava que tinha, e apenas alguns minutos, roubado o som do seu carro que estava na bolsa de Clara. Ainda bem que não roubaram, a Clara tinha apenas perdido o som dentro da bolsa, era só uma questão espacial. O que eu pensei: Graças a Deus que não perderam o som, porque como estou chegando a culpa poderia ser indiretamente atrelada a mim, e eu teria que pagar um som que nem havia desfrutado. O caminho até a casa foi super agradável, pois, como o aeroporto internacional de Medellín fica um pouco afastado, tivemos como uns 40 minutos de viagem e eu pude perceber a beleza que é a cidade, pois, ela está construída em um vale, o vale do rio Aburrá, e por isso o entorno é de muitas montanhas, uma paisagem indescritível digna de qualquer geógrafo ficar impressionado. Chegamos até a casa onde eu vou ficar, está na área metropolitana de Medellín, baixei as malas, entreguei os presentinhos, cachaças, livros, etc. Tudo uma festa, abrimos a cachaça e fizemos caipirinha, uma boa maneira de socializar as pessoas. Bebemos, todos já estavam a minha espera, enfim. Foi um momento bastante interessante. Daí então, fomos dar uma volta de carro na cidade, Aura apresentando os principais pontos, fazendo comentários, quase uma excursão didática. Paramos na casa de Aura, fomos fazer o jantar, comemos peixe ao forno com salda, que eu adoro... Pra mim não havia dito melhor recepção. Entre silêncios e tentativas de buscar novas conversas, de cada um conhecer o outro melhor a noite foi passando e fomos ficando cansados. Então, Clara e eu resolvemos voltar pra casa. Foi a minha primeira experiência com o metro de Medellín, aparentemente muito parecido com o sistema de metros da França, inclusive o ticket de ingresso é o mesmo, branco com um leitor escuro no meio, e as catracas muito parecidas. A cidade se revelava imensa pra mim, pois, assim como Recife, Medellín tem quase 2 milhões de habitantes, e somada a região metropolitana chegasse facilmente aos 3 milhões de pessoas. Aparentemente a cidade é bastante limpa e ordenada. A população tem um traçado notadamente indígena, mas, que com o tempo vai se percebendo que também fazem parte de um grupo muito miscigenado. São pessoas bonitas, em sua maioria bem vestida, mas, como toda metrópole latino-americana tem traços muito fortes de pobreza, tanto nas construções e forma de vida, quanto nas pessoas. Ou seja, esteriotipadamente muito parecidas com as estruturas urbanas brasileiras. No dia seguinte, acordei cedo e sai ao desfile dos silleteiros, é uma espécie de desfile com flores em que as pessoas que trabalham na zona rural constroem estruturas de madeira ornamentada de flores, e cada um constrói a sua, existe mais de 100 artesãos que fazem a caminhada, o desfile com as suas armações de madeira e flor. É um espetáculo muito bonito, inicia às 14h e vai até as 18h, mas, às 17h já estávamos cansados e mortos de sono, então demos pro encerrados, fomos a um restaurante comer a “bandeja paisa”, que é uma combinação do que há de mais tradicional na culinária local e é servida desse jeito: Em uma bandeja vem arroz, carne, ovo frito, batatas, salada, arepa – uma espécie de pãozinho feito de farinha de milho – banana frita e salsicha, além dessa bandeja acompanha uma cumbuca de feijão, de verdade é muito gostoso, mas, também é comida pra duas pessoas, eu quase não pude comer tudo. O final do Sábado foi assistindo filme na casa de Aura, e dormi por lá, porque de manhã tinha que ir à Universidade, pois, já havia algum trabalho para fazer. Na tarde do sábado viajamos a Santa Elena, uma espécie de Gravatá ou Garanhuns daqui, é um lugar alto, frio, onde existem muitas propriedades rurais, é o local de onde saem os artesões do desfile das flores que mencionei há pouco. Clara tem uma casinha por lá e fomos conhecer, caminhar um pouco pelas redondezas. Foi uma experiência muito interessante, e uma incursão pela culinária e hábitos colombianos. Ficamos lá até o domingo pela parte. Na volta fomos procurar uma artesã que Aura tinha encomendado algumas coisas, mas, como não sabíamos o endereço dela tivemos que procurar, uma viagem a parte. Quando chegamos à casa dessa senhora, uma surpresa, ela conhecia o Brasil e já havia estado em Recife, tinha boas recordações da cidade e acho que por isso nos recebeu muito bem. A segunda surpresa é que a casa dessa senhora era feita de Madeira, Papel e Lata, mas, não se impressionem por isso, afinal, toda favela é assim, só que a diferença é que a casa dessa artesã parecia mais ser casa de classe média alta, muito bonita, a mulher era um gênio, seu marido é professor de artes já aposentado da Universidade de Antioquia, o equivalente a UFPE, por exemplo. E, eles têm um padrão de vida bastante elevado, conhecem o mundo inteiro, e ela, a artesã é dona de uma sabedoria inestimável, essa foi a maior e mais bonita descoberta da viagem.Depois disso voltamos pra casa, descansamos, afinal na segunda começaria na Universidade, a segunda começou com reunião de apresentação com os professores da faculdade de ciências sociais a qual estou vinculado, apresentações e mais apresentações, formalidades de documentos e essas atividades duraram a semana toda. O segundo final de semana aqui foi acompanhado de um feriado na segunda-feira, então, Aura e eu viajamos para a casa de seus parentes. Foi uma viagem bastante interessante, conheci bastante pessoas, bastante lugares. E agora o retorno às atividades é indispensável. Entrar na rotina da Universidade e dar conta do trabalho tem sido o exercício, há muita coisa pra fazer, e essa semana fui inaugurado em sala de aula, estou dando aula em parceria com um outro professor da casa na disciplina de ordenamento territorial. É com essa espécie de relatório que eu compartilho as minhas primeiras experiências colombianas que não se restringem mais a Medellín, já estou me interestadualizando. Posso dizer como síntese que o processo de ocupação, o ciclo cafeeiro que a região que conheço está atrelada, as formas de condicionar o urbano, as possibilidades de trabalho, a dinâmica informal e o estilo de vida das pessoas convertem a Colômbia em uma espécie de protótipo do Brasil. Há muitas semelhanças.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Despedida

Aos amigos, próximos, distantes, de hoje, de ontem de sempre e aos que a vida ainda irá se encarregar de aproximar. Todos vocês foram e são fundamentais, acho que sem o amor que a amizade proporciona a vida seria bem menos intensa. Cada um com seu jeito, com sua fala ou sua forma de calar tem me ajudado muito. Estou me tornando um ser humano melhor. Concluo a fase atual da minha vida sabendo que posso iniciar uma nova com a consciência do dever cumprido junto a todos. Claro que como tudo que fazemos, por sermos seres humanos, deixamos lacunas, e às vezes posso não ter dedicado tempo suficiente, mas, fui intenso até onde pude. Amei, chorei, sorrir, vibrei, zanguei e todos os que estavam perto de mim devem ter a certeza que eu tentei ser o mais intenso e presente possível. Agora, me sinto pronto para iniciar uma nova etapa, um novo ciclo. Por isso, estou escrevendo esse e-mail para comunicar aos meus, aos que quero tanto bem, que no dia 5 de agosto estou indo para Colômbia, mas, espero reencontrar todos quando da minha volta. Estarei menos perto fisicamente, mas, tentarei estar ligado a todos. Muito obrigado por tudo e por todo o processo de aprendizado, vamos em frente trilhar um novo caminho. Os laços construídos são permanentes... Amo todos!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Tiê - Passarinho

O meu blog tá cada vez mais tomado de outras pessoas que não eu, e para continuar nesse movimento, apresento aos amigos uma cantora que na minha humilde avaliação tem tudo para se tornar uma projeção nacional. O Cd dela se chama "Sweet Jardim". As músicas representam uma ingenuidade parecida com aquela apresentada pelos tribalistas, mas, com uma voz tão suave como a da Fernanda Takai. Tiê vem preencher um espaço na produção da MPB. Espero que vocês se habilitem a ouví-la, vale a pela. Além de tudo, no álbum tem músicas em francês e em inglês. Estou super curtindo. A imagem do post é a capa do cd dela, e disponibilizo uma das letras e o link para baixar o álbum. Tiê, uma grata surpresa.

07. Te valorizo (música e letra tiê, piano e voz tiê)

Se eu pudesse mostrar o que você me deu, eu mandava embrulhar, chamaria de meu. Melhor forma não há pra guardar um amor, então preste atenção, ou me compre uma flor. Vem, me faz um carinho, me toque mansinho, me conte um segredo ou me enche de beijo. Depois vá descansar, outra forma não há. Como eu te valorizo, eu te espero acordar. Se eu ousar te contar o que eu sonhei, pode até engasgar. Pagaria pra ver. Melhor forma não há pra provar meu amor, eu te presto atenção, tento ser sua flor. Vem, te faço um carinho, eu te toco mansinho, te conto um segredo ou te encho de beijo. Depois vou descansar, não vou te acompanhar. Espero que entenda e volte pra cá.

Serviço:

Link do blog da moça: http://sweetjardim.wordpress.com/

Link para baixar o álbum Sweet Jardim:
http://www.megaupload.com/?d=KM082ZSW

Amigos, por Vinícius de Moraes

Às vezes, só o que um grande escritor, poeta, etc.. escreve consegue captar os laços do que sentimos. Deixo esse espaço para um texto do Vinícius de Moraes, ele resumiu tudo...


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências…
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer…
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

Vinícius de Moraes

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Vermelho versus Azul

Calor, sol, queimadura, ardor, chamas, brasa, fogo... Tudo o que é quente evoca a dimensão do amor, da paixão... Não é à toa que o vermelho é a cor que representa tudo isso. Eu sempre reflito o meu estado de espírito e astral através das cores. As cores, de uma maneira não objetiva, controlam minhas atitudes, refletem o meu estado de vida... Descobri que não estou vermelho, não estou nem perto de estar vermelho... Pensei que estaria envolvido no ambiente de amor, paixão e desejo, mas, acho que no final das contas era tudo uma questão de costume. O hábito ainda me persegue, volta e meia me pego pensando no passado, mas, depois de uma conversa com um anjo que tava me ajudando a me entender, percebi que a vida é o presente e caminha para um futuro. Chega de esperar por algo que na hora em que foi não me completou, e se não completou quando era. Então, não deve, nem pode circundar o meu imaginário com o que poderia ser. Simplesmente não é; não vai ser... JÁ CHEGA! Não estou quente, estou o contrário disso, estou frio, gelado, indiferente... Não estou pronto pra nada, nem pra mim mesmo! Estou decretando férias e repouso... Não sei como essas férias serão, nem sei se serão de fato férias, mas, terão a cor azul como inspiração, o azul é que está me preenchendo agora! Vejamos o que sai do AZUL...

domingo, 19 de julho de 2009

Momentaneamente fora do ar...(tempo de duração: indefinido)!!

Depois do último texto me senti um pouco sem inspiração de procurar temas para escrever por aqui. Na verdade, vou deixar a vontade de escrever me consumir de novo. Querer compartilhar é necessário, acho que escrever o que se pensa é uma forma de fazer terapia sem pagar terapeuta.
Então, o próximo texto pode vir daqui a pouco, amanhã ou daqui a três meses...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Tudo é cíclico, até passa, mas, ainda dói...

Lembrar de você já não deveria mais. Mas, esquecer-te também não consigo. É um incrível dilema. De uma maneira bem insossa gostaria de perder as lembranças. O engraçado é que eu tenho a certeza que não deveria lembrar-te. Eu te vejo em tudo e em quase todos. Lembranças das nossas voltas na Universidade (lugar que tenho evitado a ir depois que consegui me tornar mestre, pena que sem seus olhos por perto pra me darem forças). Saudades das nossas manhãs de domingos onde eu te fazia companhia para tuas compras, e ainda assim eu achava tudo lindo. O cinema perdeu tanto da magia, já que eu não posso mais ter os teus braços como apoio, descanso e reforço. É meio loucura depois de tanto tempo ainda sentir a tua presença na minha vida, o pior ainda é sentir a tua falta...
Tenho me escondido em livros, trabalho, amigos, bobagens, paqueras, beijos, sexo... Nada me afasta de você... Eu sei que tudo é cíclico, mas, até eu conseguir esquecer, estou pensando em você, estou te esperando, mesmo sabendo que você já não mais vai voltar... Porém, bem que seria bom!...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Intolerância ou Alergia?!

...afinal de contas, se olharmos por outro prisma será que a intolerância existe?

Eu tenho medo de pensar, trabalhar ou citar o que é intolerância em qualquer conversa de bar ou até mesmo entre amigos. Acho que em 99% dos casos serei mal interpretado, e ainda assim, se entendido, teria um enorme problema em concordar comigo mesmo. Até porque como a maioria dos conceitos e das discussões conceituais é indispensável pensar a escala em que está se processando as informações e se estabelecendo as análises.
É óbvio que em relação ao pensamento religioso radical; ortodoxo ao extremo; fechado em suas percepções e fragmentado é impossível não pensar em intolerância, principalmente quando essa intolerância gera guerras, mortes, sofrimento, etc.. Não é a isso que me refiro. Estou seriamente preocupado com a intolerância que eu mesmo posso produzir.
A intolerância que me assusta é aquela que me faz esquecer a dimensão da alteridade; aquela que me cega os olhos e me faz esquecer que o meu próximo é tão cheio de virtudes e defeitos quanto eu.
Assusta-me essa capacidade intolerante de odiar a outro ser humano. Mas, como se pode lutar contra isso? No momento que me encontro acho muito difícil lutar contra um sentimento que é tão forte que obscurece a capacidade reflexiva e inibi o discernimento.
Eu reivindico o meu direito de ser humano para me permitir amar, odiar e não tolerar! Eu reivindico o direito divino de ser dono do meu arbítrio! Eu reivindico o direito sagrado de errar, de não tolerar, de excluir, de selecionar.
E nesse caso, acho que a minha intolerância pode até ser ALERGIA!!!
... ABAIXO à FALSIDADE! Por um mundo mais justo, já!
Que saudade dos alemães!
Que saudade da capacidade de deixar simples o que é simples e o que complicado também.
Que lição de vida eles poderiam dar aos brasileiros!
Intolerância ou respeito a si mesmo? Quem foi que falou que temos que nos anular em detrimento às vontades dos amigos! E a minha vontade? E a minha existência! Eu sou a pessoa mais especial da minha vida. Sou a única pessoa que não pode me trair, se os outros não entendem? Problema! Ser feliz e honesto ao que penso, sinto e vivo é à base da minha vida!!
Reflitam! Ninguém é autentico sendo mais um! Façam a diferença, senão para todos, ao menos para vocês mesmos!!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O que tem sido aprender?!

Andei aprendendo algumas coisas esses dias...

Percebi que não adianta o quanto eu me ache bom, todo trabalho que fiz ou virei a fazer já nasceu ou nascerá morto, e por isso mesmo, não contribuem nada para o meu futuro, só abastecem o armário do meu passado.
Não adianta sofrer, chorar, se dar, amar quem está longe. Se está longe nunca vai saber o tamanho do meu sofrimento e no final das contas terei sofrido à toa, chorado à toa e envelhecido à toa. Assim, não quero viver a minha vida, à toa.
Amo, amarei e continuo amando, mas, isso não impede de me forçar a visitar outros sentimentos, já que quem eu amo não está comigo. Acho que tenho a obrigação de ir experimentando, provando, vivenciando até encontrar um novo amor. A despeito do que me foi aconselhado hoje, eu não desistirei do amor; eu não desistirei de namorar e não perderei a esperança de, um dia, me “arrumar” com alguém. Afinal de contas, podemos não ter nascido para nos realizar no outro, mas, dividir com o outro, tudo aquilo que se tem talvez seja um dos mais doces, necessários e desejados momentos da vida.
Aprendi também que não importa o quanto eu me esforce pra defender uma idéia, tem gente que toma um fragmento do pensamento como verdade e jamais será capaz de contextualizar o sentido final das coisas. Acho, com toda franqueza, que estou cada dia entendendo mais o Oscar Wilde e estou tentando exercitar mais um dos seus pensamentos. Ele dizia assim: “Se soubéssemos quantas e quantas vezes as nossas palavras são mal interpretadas, haveria muito mais silêncio neste mundo"...
Por isso, termino esse texto com silêncio......

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O que é o dia?

Muito mais do que sucessão simples de tempo (horas, minutos, segundo) o dia é sem dúvida a diferença entre os aconteceres; é o limiar entre estar vivo e estar morto. A mágica e o poder transformador do dia são inigualáveis. A ação e a inércia convivem lado a lado e o único responsável por transformá-las em realidade somos nós mesmos.
É essa capacidade mágica que o dia tem de abrigar tantas possibilidades que me fascina. Cada momento, cada fechar e abrir dos olhos podem ser responsáveis por uma nova forma de ver, sentir e conduzir as coisas.
Comumente ficamos presos a uma visão limitada da realidade, achamos que o cotidiano é a essência da vida. Os nossos atos repetitivos parecem explicar de maneira indiscutível qual o caminho que a vida trilha. Ledo engano esse o nosso! Muito mais do que repetição, melancolia, tristeza e angústias a vida é com certeza a capacidade de fazer o novo, de descobrir o inusitado. Mas, pra isso acontecer é necessário que se esteja disponível, e indiscutível a necessidade de se perceber os nuances, as sutilezas, as possibilidades de inversão. Ninguém precisa ser sensitivo para aproveitar o dia, mas, é necessário ser sensível, não apenas olhar com os olhos.
É assim que o dia deveria ser! (incerto, despretensioso, imprevisível, mágico, plural). Não é preciso dividi-lo em períodos (manhã, tarde e noite), o dia não é isso, o dia nem tem necessariamente 24 horas, e nem muito menos a mesma quantidade de tempo dividido de maneira igual. O dia não é cronológico, ele é psicológico, mas, inevitavelmente ele começa quando você acorda, e ele acaba quando você dorme. Por isso, ele tem que ser aproveitado, não em uma prótese fantasiosa que exista apenas na sua cabeça, isso pode ser a diferença entre realidade e loucura, mas, ele tem que se aproveitado na possibilidade da realização.
Esse é o convite, vamos viver o dia! Afinal, todos os dias tudo começa de novo!

domingo, 12 de julho de 2009

O que é ser adulto?


É engraçado, às vezes a gente pensa que depressão, cansaço são coisas que só acontecem com os outros. A gente é supervalorizado pelo nosso próprio ego e com isso criamos uma capa, uma crosta, uma impossibilidade de se ver na verdadeira forma concreta e humana. Essa capa vai tornando os seres humanos cada vez mais viciados, cada vez mais donos de si, envoltos em um sacrossanto manto que normalmente é chamado de "vida adulta". Mas, que vida adulta é essa? Há de fato uma diferença da vida ao simples fato de se atingir etapas no processo do passar dos anos?
Eu fico me perguntando qual fase de vida se vive quando se é criança e é obrigado a trabalhar no corte da cana, do sisal ou de qualquer trabalho dito adulto? Será que aquela criança não vive uma vida adulta? Será que a vida de um cara que chegou aos 30 anos de idade, sendo sustentado pelos pais, tendo estudado nas maiores e melhores universidades do país e do exterior, que se tranca entre quatro paredes de um Centro de Pesquisa e Ensino de nível superior, condenado a viver a sociedade através de um grupo de alunos que muitas vezes representam apenas uma forma padronizada de entender às relações do mundo, é de fato uma vida adulta? Será possível se tornar adulto sem entender os detalhes e sutilezas do pensamento humano? Será que se pode ser adulto pensando que o mundo gira entorno do seu próprio umbigo? Adultos são aqueles que ao primeiro problema acionam todos ao seu redor para resolvé-lo, e em nenhum momento lembram de estender a mão ao próximo em um momento de fragilidades?
Eu tenho pensado bastante, ultimamente, e acho que estou descobrindo que ser adulto não se aprende, nem muito menos se rotula. Não acho licito que uma observação fragmentada e alheia às sutilezas e inquietações da mente humana seja considerada definitiva para se julgar algo maturo ou imaturo, até porque maturidade não deve jamais ser medida pela velocidade do julgamento de alguém que não participa ao processo.
Só se cresce vivendo, só se descobre caminhos trilhando-os. Por isso, a única pessoa capaz de saber o que é maturidade é quem dela desfruta, assim como todos os demais processos psicossociais, só se descobre o que é ser adulto sendo e jamais a experiência de um pode ser comparada ao do outro. Afinal de contas, ser adulto também não seria respeitar a história que não é a sua?

sexta-feira, 13 de março de 2009

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA

A EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA
Miguezim de Princesa
I
Peço à musa do improvisoQue me dê inspiração,Ciência e sabedoria,Inteligência e razão,Peço que Deus que me protejaPara falar de uma igrejaQue comete aberração.
II
Pelas fogueiras que arderamNo tempo da Inquisição,Pelas mulheres queimadasSem apelo ou compaixão,Pensava que o VaticanoTinha mudado de plano,Abolido a excomunhão.
III
Mas o bispo Dom José,Um homem conservador,Tratou com impiedadeA vítima de um estuprador,Massacrada e abusada,Sofrida e violentada,Sem futuro e sem amor.
IV
Depois que houve o estupro,A menina engravidou.Ela só tem nove anos,A Justiça autorizouQue a criança abortasseAntes que a vida brotasseUm fruto do desamor.
V
O aborto, já previstoNa nossa legislação,Teve o apoio declaradoDo ministro Temporão,Que é médico bom e zeloso,E mostrou ser corajosoAo enfrentar a questão.
VI
Além de excomungarO ministro Temporão,Dom José excomungouDa menina, sem razão,A mãe, a vó e a tiaE se brincar puniriaAté a quarta geração.
VII
É esquisito que a igreja,Que tanto prega o perdão,Resolva excomungar médicosQue cumpriram sua missãoE num beco sem saídaLivraram uma pobre vidaDo fel da desilusão.
VIII
Mas o mundo está viradoE cheio de desatinos:Missa virou presepada,Tem dança até do pepino,Padre que usa bermuda,Deixando mulher buchudaE bolindo com os meninos.
IX
Milhões morrendo de Aids:É grande a devastação,Mas a igreja acha bomFurunfar sem proteçãoE o padre prega na missaQue camisinha na lingüiçaÉ uma coisa do Cão.
X
E esta quem me contouFoi Lima do Camarão:Dom José excomungouA equipe de plantão,A família da menina E o ministro Temporão,Mas para o estuprador,Que por certo perdoou,O arcebispo reservou A vaga de sacristão.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

viver é muito melhor

Esses dias eu estava assistindo a já consagrada série: “Sex and the city”, e fiquei surpreso com a atualidade das questões e com a possibilidade de interpretar o texto desenvolvido para o universo feminino, como sendo algo aplicável a todos os sexos. Na verdade o “sexo e a cidade” é um conjunto de temas que não tem aplicação para apenas um grupo de pessoas, ele é comum, é recorrente, funciona quase como uma identidade dos atuais citadinos, afinal fazer sexo, falar de sexo, viver o sexo é quase sinônimo da metrópole. Para ficar mais atual e mais verossímil só faltava o discurso do sexo e da cidade abarcar também o interesse e o dinheiro, pois, com isso fecharíamos a coleção de temas indispensáveis em qualquer conversa com o grupo de amigos. A união disso tudo me faz refletir: O amor ainda existe nos relacionamentos citadinos da contemporaneidade? Na vida nós encontramos, relacionamo-nos com vários tipos de pessoas, algumas inclusive que não fazem nosso tipo, mas, curiosamente fazem-nos pensar em um conjunto de coisas que mudam o nosso mundo e descobrimos uma nova forma de ver. Eis então que surge a segunda pergunta: Se os nossos amigos também participarem do conjunto de pessoas que fazem com que tenhamos a certeza de que o amor, na atualidade, não consegue resistir ao valor instantâneo do prazer e do dinheiro? A impressão que dá é que as pessoas precisam imitar a cidade, precisam copiar o símbolo frenético do sucesso, do melhor aproveitamento, o ser que deveria ser amado, precisa antes de tudo ser admirado, e essa admiração parece está cada vez mais centrada na capacidade de compra, articulação e aproveitamento dos momentos, pessoas e situações. Na cidade atual é quase um “el dorado” encontrar alguém que te pergunte primeiro o que você está lendo e não qual o seu cargo na empresa ou qual o valor do imposto de renda que você paga. Encontrar alguém que não se preocupe se você dirige uma BMW ou um FIAT é quase tão raro como receber um elogio daquele que cobiça o seu cargo e o seu espaço no trabalho. O mundo está cada vez mais resumido na velha máxima: “você é aquilo que você tem ou pode oferecer”. A grande surpresa não é essa, mas, perceber que talvez façamos parte de ciclos que coloquem em prática a todo instante esse tipo de comportamento. Já chega de falar em salários! Basta pensar no carro novo do fulano, a vida é única, é nossa, é plural, é curta, é renovação. Vamos deixar que os outros vivam as suas vidas em paz, e vamos nos concentrar na nossa... Não precisamos vestir à moda, não precisamos ser reféns de um mundo simulado que só faz repetir desigualdades, ninguém é feliz montado em sapatos, jóias ou carros caros, a felicidade é mais simples, por isso amigos, se libertem desse mundo pequeno, transcendam, evoluam, mudem, olhem para dentro de vocês mesmo, pois, a resposta de muitas coisas está ali, em nós mesmos... Temos que sorrir mais, trabalhar menos, VIVER é muito mais do que pagar contas, comprar roupas novas ou fazer novas aplicações financeiras.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009


Hoje, assim como em outros dias, a vida tem apresentado um conjunto de caminhos diferentes, o que me faz entender que: por mais perdidos que estejamos, sempre há um novo caminho, um horizonte, uma nova possibilidade...Ainda há pouco, estava eu envolvido numa situação em que apenas os bits e os bytes eram as minhas testemunhas, onde as promessas e as vontades eram maiores que as verdades, as materialidades, era tão intenso, tão verdadeiro e tão virtualmente próximo que eu me envolvi e comecei a viver para "essa coisa", apenas para isso...até que um dia, a vida me encontrou novamente, e o que era virtual e distante se tornou real, a pessoa mudou, os pensamentos e os níveis de intimidade também, mas, quem disse que teria que ser igual? Essa é a graça da vida, quem está longe nos entende e nos completa, quem está perto nos afaga, abraça e beija...é, talvez tudo seja um jogo em que as regras consistam nas coisas que precisamos para cada momento...Que bom seria se eu, os dois sentimentos, pudesse ter, mas, confesso que mesmo em meio a esse turbilhão de sensações, estou cada vez certo de que a vida é como o Gonzaguinha a cantava: é bonita, é bonita e é bonita...mas, como será que estamos vivendo essa beleza?...
...mais uma página "do pensamento", que por menos estilístico que seja, é um reflexo de mim e de como penso...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

...Onde é a passagem para a vida?

Às vezes eu penso que preciso a qualquer momento, a qualquer segundo deixar de ser o que eu sou p'ra que eu consiga um dia tentar ser um pedaço daquele alguém que eu sonhei ser. E isso é muito estranho, quem ler esse pensamento vai logo imaginar que eu não estou satisfeito com a vida que levo, mas, muito pelo contrário, estou feliz sim, acho que a minha vida é o resultado daquilo que eu sempre procurei ser. Pego-me pensando nas encruzilhadas que percorri até atingir o ponto em que estou, mas, assim como todos, me pergunto: Se eu tivesse tomado o outro lado do labirinto como seria o meu caminho? Qual seria a consequência? Não sei, acho que ninguém poderia saber, mas, pensar na possibilidade é sempre um bom exercício em um momento de ócio. E, sempre nos estimula a fazer releituras. A grande questão é: Se o aqui e o alhures não me agrada, não me preenche, como fazer p'ra ser feliz?...Estou num momento muito peculiar da minha vida, tenho bons amigos, poucos é verdade! Sonhos, sentimentos, vontades, identificação todas essas coisas parecem que não são o bastante p'ra conseguirmos ter alguém conosco...presença é fundamental, não apenas de corpo, mas presença de alma. Eu tinha achado que tinha encontrado essa presença, mas, a distância do corpo fez com que ela não resistisse por muito tempo, bom, agora tem a possibilidade da presença do corpo, será que construiremos a presença de alma? Ando muito confuso, sem saber o que pensar. Resolvi que, talvez, para mudar àquela condição de inquietude de minha existência, eu tenho apenas que viver a vida sem pensar nela, pois, ela acontece sem planejamentos, sem disciplina...vou me entregar, e me jogar na correnteza dela, vejamos onde emerjo.